"Assim como o amor e a música, o xadrez tem o poder de tornar os homens felizes." (Tarrash)

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Sobreviver é possível?


Para quem não sabe, dentro de um ano serei uma Internacionalista ou Analista de Relações Internacionais. Sabem o que é isso? É quem faz gradução em Relações Internacionais, curso novo, cerca de 30 anos no Brasil e há 3 em Marília, cidade onde estudo.
Desesperada??? Imagine!!!
Por que estaria? Um curso recente, ninguém sabe - digo, ninguém que realmente importa, como empresários - sabem o que fazer com um profissional desta área, o curso mesmo é "o samba do crioulo doido", estudando um pouco de tudo, e tudo de nada. Essa é minha percepção das coisas. Porém, fui EU que escolhi fazer tudo isso. Mas puxando aqui namemória, lembro de uma grande dúvida existencial que tive na época que escolhi tudo isso...
É possível viver (ou sobreviver) de xadrez?
Essa dúvida me corroeu, eu amava jogar xadrez - e ainda amo! - me dedicava aos estudos, toda semana eu estava por aí participando de algum torneio - mesmo com a resistência de meus pais que achavam melhor eu "estudar para o vestibular". Neste contexto, realmente considerei a possibilidade de ser profissional, de trabalhar com xadrez, e viver feliz para sempre. Conhecia bons exemplos de pessoas que conseguiam construir sua vida assim, inclusive mulheres como as grandiosas pessoas de Joara Chaves e Regina Ribeiro.
Pensei, pensei... quase fiquei maluca... Pensei de novo... E decidi: vou mesmo é estudar.
Decidi fazer faculdade na esperança de - não custa sonhar! - ficar rica e daí então só jogar xadrez! Ia ser lindo, tudo planejada, certeza de sucesso. Quanta inocência! E agora me vejo aqui, em vias de me formar, preocupada com tantas coisas, e o xadrez, onde está?
Infelizmente eles ficam na minha estante, os livros, apostilas, até as peças, coitadinhas, tristes, solitárias, suplicando um afago que não posso dar pois tenho um seminário sobre Kant para apresentar semana que vem! Que vida triste é essa, meu Deus, de relegar a segundo plano o que se gosta!
Tenho hoje uns 10 aninhos de xadrez, nada perto de alguns monstros e não significativo quando penso na Amanda Marques e na Daphne Jardim que são "monstrinhas com 10 aninhos de idade". Conheci e ainda conheço tanta gente que consegue viver de xadrez, como um dia eu pensei em fazer e que hoje não consigo considerar... Penso na coragem e disciplina daqueles que escolheram este caminho, porque afinal de contas não dá para "jogar na raça". Sou defensora de que xadrez bom é xadrez estudado. Talento ajuda, mas o Xadrez Básico é essencial.
E eu nessa história toda - desolada com uma eminente possibilidade de ser uma desempregada diplomada como tantos - fico aqui, admirando, exaltando aqueles - óh, enxadristas! - que tiveram a coragem de decidir que viver de xadrez é possível sim, mesmo que no Brasil, mesmo que ganhando mal, mesmo que perdendo, mesmo que o xadrez seja tudo isso mesmo!
Nas palavras de Leminski:
"palmeira estremece
palmas pra ela
que ela merece."

domingo, 23 de julho de 2006

Lev Polugaevsky aprendeu.


No livro "Sicilian Love", de Polugaevsky com Piket e Guéneau, há uma entrevista interessantíssima com o nobre jogador, na qual ele fala sobre sua vida, seu contato com xadrez, suas experiências. Um trecho impressiona: perguntado sobre como se tornou um jogador profissional, ele acaba revelando como se tornou autor de livros - por sinal, ótimos livros! Em um encontro com Botvinnik em Belgrado, 1969, Polugaevsky é questionado se "está atualmente escrevendo um livro de xadrez". Respondendo negativamente, o primeiro não hesita em dizer:
"Why don't you accept that you are lazy? You should be ashmed of yourself. It is the responsibility of all grandmasters to write books." ( Por que você não aceita que você é um preguiçoso? Você deveria estar envergonhado de você mesmo. É responsabilidade de todo grande mestre escrever livros.) - Olha só, chamado de preguiçoso, na cara dura!
O importante é que a "intimada" rendeu frutos. Agora me diz: quem intimará nossos grandes mestres??? Eu é que não serei, afinal, ser grande mestre no Brasil é um desafio e tanto! Não só para alcançar o título não, mas principalmente para que ele realmente represente algo em âmbito internacional. E nós temos somente seis deles!
Alguns grandes mestres brasileiros escreveram livros de xadrez. É o caso de Darcy Lima, com os livros "Xadrez, Aprenda a Jogar", "O ABC das Aberturas", "Estratégia" e "Combinação". Os dois últimos contam com a co-autoria de Júlio Lapertosa. Nunca vi nenhum.
Gilberto Milos fez sua parte, escreveu "Xeque e Mate", em parceria com Davy D'Israel.
Giovani Vescovi traduziu o excelente e egocêntrico "Meus Grandes Predecessores".
Henrique Mecking escreveu "Como Jesus Salvou Minha Vida"- sem comentários.
Não gosto de pensar que esta localização em obras para os iniciantes do xadrez ou os que desejam aprender o jogo seja uma atitude, digamos, reflexiva da política "xadrez em massa" dos projetos escolares. Porque se for, digo que é uma pena. Com a qualidade destes jogadores, esperamos obras profundas, de qualidade, que circulem todo o mundo enxadrístico e não se concentrem apenas em escolas com projeto de xadrez. Não desmereço a atitude, é importante que haja bons livros de iniciação para que se aprenda correto. Mas é só isso?
Socializar o conhecimento é importante para que novos talentos surjam. Publicar é um ato de coragem, ainda mais no Brasil e sobre xadrez! Porém, até quando ficaremos à margem do grande circuito mundial de xadrez? As publicações são importantes para divulgar o xadrez brasileiro. Muitos têm feito sua parte, como Paulo Giusti e Gérson Batista e Joel Borges. Temos muitos mestres traduzindo. Mas por que não escrever?
Isso não é uma intimada, juro pelos Deuses! É só um desejo, uma curiosidade, e um pedido leve: grandes mestres, aprendam como Polugaevsky aprendeu! Escrevam!!!

sábado, 22 de julho de 2006


Esse negócio de blog tá mesmo na moda, conheço tanta gente que tem que só vendo! E no mais, dependendo do assunto que você digita na busca do Google aparece como link... um blog! Isso mesmo, o blog é bom por isso mesmo, dá para falar de tudo e de todos! Democrático que só ele. Já que é assim, também quero o meu! * risos*

A idéia aqui é simples: falar sobre xadrez. E não vem me falar que é difícil porque não é. Falar não é nada, quero ver é jogar xadrez! Mas como vou falar, meu jogo está poupado. Sorte minha.

Quero trazer aqui algumas coisas que leio e gosto sobre xadrez e que penso também. Já tive a fase de escrever crônicas, ainda persisto na de entrevistas, mas um blog combina mais comigo porque acaba parecendo um papo com todo mundo e com ninguém ao mesmo tempo. O que quero mesmo e não perder essa vontade de viver o xadrez de todas as maneiras possíveis, seja jogando, seja falando sobre ele, estudando, pensando na amplitude de possibilidades que ele nos coloca... Não sei se conseguirei alcançar meu objetivo, de falar as coisas que penso e demonstrar a paixão que tenho. Mas que fiquem claras minhas boas intenções!

Não aceito sugestões. O blog é meu, não é?! Então vou falar o que eu quiser mesmo. Aceito comentários, serão muito bem vindos.

Esta é minha breve apresentação, bem improvisada. Blog é bom por isso também, não precisa ficar relendo para ver se está bom e gramaticalmente correto. A informalidade dá uma liberdade que só ela! Vamos ver no que isso vai dar.