
No final das contas, eles continuaram a jogar. Deram o show, causaram polêmica, entraram para a história e agora estão disputando o tie-break. Vi algumas partidas, e por mais que não seja uma jogadora da "elite", pude perceber que no geral foram mornas. O melhor comentário técnico sobre o match está na página do GM Giovanni Vescovi (http://www.gvescovi.com.br/).
Por mais que este seja um duelo aguardado por muitos, não vejo grandes emoções nesse confronto. Vejo sim jogadores interessados em assumir um posto deixado apenas formalmente por Kasparov. Este sim soube ser o número um do mundo. Saberá Topalov ou Kramnik ser? A resposta está no ar, e quase ninguém opina.
Na verdade estamos vivendo um momento de transição do xadrez mundial, e por enquanto não temos convicção a respeito do novo líder do ranking. Kasparov ganhava, perdia pouco, gostava da publicidade e assumiu o posto de melhor do mundo inteiramente. No texto mais recente de Ivan Carlos Regina no site Clube de Xadrez há um a frase célebre de Garry que endossa o que digo: "No xadrez minha palavra é próxima a de Deus. " E é mesmo, pelo menos enquanto ninguém assume de verdade o vácuo que se instaurou no xadrez.
É difícil acreditar que outros Kasparovs e Fischers aparecerão, cada campeão tem seu estilo e sua personalidade únicas. Esperamos sim que aqueles que virão assumam com firmeza e dedicação. Kasparov é um bom exemplo. Encerrou sua carreira não só no auge, mas com uma verdadeira obra de xadrez, entitulada sabiamente de "Meus Grandes Predecessores". Nada mais definitivo para se consagrar na história do xadrez mundial.
A história do xadrez é, desde o século XVII aproximadamente, contado a partir de um ponto de vista personalista. São homens construindo a história, e particularmente gosto dessa perspectiva. Mas será possível manter essa tradição após Kasparov? Eu tenho minhas dúvidas.
Aguardemos ansiosos a definição desse jogo, que desta vez pode ser considerado predominantemente lúdico.