"Assim como o amor e a música, o xadrez tem o poder de tornar os homens felizes." (Tarrash)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Pressa, perfeição e outras coisas mais...


"A pressa é inimiga da perfeição."
(sabedoria popular, autoria sem autor)


Para falar de pressa é preciso falar de tempo. Não do tempo, no sentido determinado, daquele tempo que não volta mais, o tempo do cobra. Não. É de tempo. Hoje e atualmente o tempo está acelerado. Você acorda e, quando se dá conta, está indo dormir. Ontem era Natal e agora já é Dia dos Namorados. Dia do Enxadrista também. A sensação é que o tempo está com pressa.

A percepção que temos dessa correria não é individual: todos reclamam, todos reparam, todos se desesperam. E o tempo, essa verdade universal, não se incomoda. Ele continua, sempre; ele é só movimento.

E por falar em tempo, o xadrez - que como tudo e todos é também dependente do tempo -, tem buscado sobreviver em meio a esse trânsito. As partidas de 1 minuto na internet, ao xadrez-súbito. Não é necessário refletir, e sim reagir. Reaja. Não interessa. Sacrifique. Enrole. Esperneie. E ganhe no tempo, sem nenhum pudor.

O problema é que as pessoas estão com muita pressa para perceberem as coisas.

Há algum tempo atrás - e nem é tanto tempo assim, se pararmos para pensar -, as pessoas se interessavam em jogar xadrez sem tempo. Imagine... O tempo, que é sempre presente mesmo quando passado e futuro, assim, jogado de lado. Simplesmente indiferente ao tempo. Um lance demorava... Demorava umas 20 horas. Talvez mais, não se sabe. Tanto faz. A questão é que demorava, e isso era valorizado de um modo diferente. Não se gastava 2 segundos para determinar que a análise indica a vantagem de +1.87 das Negras.

Outros tempos... Tempo de correio e de carta. E do tempo que se gastava escrevendo. O gesto: o andar até a gaveta, a escolha da caneta - é preciso checar se ela está funcionando! -, o papel na gaveta de baixo... Um copo d´água antes de, enfim, caminhar até a cadeira e a mesa que então receberão solenemente o papel e a caneta, e a escrita. A cola, o selo, o dia de ir ao centro da cidade finalizar a empreitada... Xiii, levava uns 3 ou 4 dias, até mais! E, dentro do envelope, um lance. Um O-O.

Nesse tempo acreditava-se que a pressa era inimiga da perfeição. Perfeição não queria dizer tudo certo, resolvido, ponto final. Não. É a idéia do tempo de acabamento. O tempo que toda coisa leva para não só ser feita, mas compreendida, digerida. Independente do que você come, seu corpo leva 2 horas para entender o que você fez e absorver essa informação.

E ainda há torneios que corajosamente atraem adeptos com o ritmo de 2 horas nocaute.

Pare e pense: quanto tempo leva uma partida de xadrez?
Quanto tempo é preciso para entender o que é xadrez?
Quando foi sua última partida? Quando será sua última partida?

(Esse texto talvez seja um modo de pedir a tempo a desaceleração.)




3 comentários:

Tiago disse...

Foi se o tempo em que tínhamos tempo para jogar um xadrezinho na mesa de bar branca com cadeiras de bar...
Agora vejo o tempo; Ele passou e quando analisamos as partidas e eram mencionadas as personalidades dos atores e atrizes que estavam detrás das peças representando um papel, e que papel! Não um papelão, mas sim o papel personificado intrapessoal e inconsciente, terminava em conclusões derradeiras.
Batalhas eram traçadas acirradamente apenas para testarmos o que o tempo social nos ofereceu...
Agora tudo passou e acredito que o lapidador de tudo isso foi o tempo que não voltará mais, mas que foram agradáveis momentos, cada um seguiu para onde deveria ir. Se de fato foi relembrado isso, é porque ficou gravado na memória chamada de tempo saudável.
Agradecimentos por ti compartilhar este tempo comigo.
T. P. R

JUSTI disse...

Bacana sua reflexão sobre o tempo...

abraços

JUSTI

Tiago disse...

* e quando análisavamos*
Valeu Taís...