"Assim como o amor e a música, o xadrez tem o poder de tornar os homens felizes." (Tarrash)

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Cadê vocês, meninas?


Contextualizando: no estado de São Paulo, cerca de meio século atrás, era inaugurado os Jogos Regionais, uma competição hoje tradicional em nível nacional. Seu antecedente é o Jogos Abertos do Interior, que já comemorou seus setenta aninhos. A idéia é interessantíssima. Atletas de várias cidades de São Paulo se reúnem em competições que se prolongam por em média quinze dias, cabendo a cidade que agrega os melhores de cada modalidade o título de campeã.

Com o xadrez, que é modalidade reconhecida como esporte – sim, recebemos um crachá de identificação escrito “atleta” no início das competições! –, vários modelos de disputa já foram experimentados. Em míseros oito anos de participação em Jogos Regionais e cinco de Jogos Abertos (explico o desfalque: nos Jogos Abertos só se encontram os campeões...) já competi em três formatos distintos. Equipe com três tabuleiros, com quatro tabuleiros (que é a composição atual), em categorias (hoje é dividido em sub-21 e absoluto, além da categoria especial que não é para o meu bico, e que reúne nos Jogos Abertos os campeões dos campeões, numa espécie de torneio fechado. Os GM estão todos lá.).

Existe a clássica divisão feminino e masculino. Porém, as mulheres podem jogar no masculino, o que não é comum, ao contrário dos meninões, que só podem ficar entre eles. E está formado o cenário: equipes de uniforme, plaquinha com o nome da cidade que representa, tudo nos conformes. O ritmo é o mais apropriado para que haja uma partida decente: uma por dia, 1h para 23 lances+ 1h nocaute. Coisa linda.

Graças a esse tipo de competição, muitos enxadristas sobrevivem. Isso porque as cidades investem nos atletas (não se esqueçam que enxadrista é atleta!), fechando contratos interessantes para os jogadores, um meio de sobrevivência para muitos. Não se recebe em dólares, mas de qualquer modo é uma ajuda e tanto para enxadristas que não têm patrocínios.

Pensando nesse esquemão todo, um Mestre teve uma brilhante idéia. Krikor Mekhitarian (êta nome complicado de escrever e pronunciar!) criou um blog (http://procuradejogadores.zip.net/), na tentativa de ajudar os enxadristas a se comunicarem e facilitar o processo de formação de equipes para os Jogos Regionais e Abertos. Afinal de contas, não é regra que os integrantes sejam da mesma cidade que representam, pelo contrário. Dificilmente isso acontece. Muitas questões éticas podem ser levantadas sobre esse respeito, mas sinceramente não acredito que o apoio ao xadrez deva ser interrompido por um critério tão pequeno, tão irrelevante principalmente para o enxadrista que viaja o Brasil inteiro em busca de aperfeiçoamento. O localismo definitivamente não é um requisito do xadrez.

Achei genial a idéia, ainda mais se considerarmos que a internet está para o enxadrista, assim como o enxadrista está para a internet. Fiquei muito satisfeita em ver enxadristas de todo o Brasil, de estados até distantes de São Paulo, interessados em participar dessa verdadeira festa do xadrez paulista. Mas... cadê as meninas? Alguém viu alguma menina da lista dos interessados?

Sim, existe uma categoria feminina, inclusive bastante disputada, jogadoras fortíssimas, entre elas algumas estrangeiras, participam do evento. Embora o número de equipes femininas venha crescendo anualmente, o número não chega perto do número de jogadoras no Brasil. Fiz um levantamento inicial, somente considerando mulheres que jogam xadrez, e cheguei a um número bem maior do que mil. Não vou divulgar detalhes da pesquisa porque ainda não está concluída. Mas me diga: por que essa mulherada toda não está nos Regionais e nos Abertos?

Para quem não sabe, é a maior dificuldade encontrar meninas dispostas a disputar esses campeonatos. Posso falar isso porque já vivi essa situação, de procurar meninas e nada! Não quero entrar em detalhes sobre a dificuldade de viajar, problemas com os pais, essas coisinhas todas que todos sabem que existem, seja para o xadrez seja para qualquer outra coisa. É totalmente cultural. Mas o que me intrigou e de certa forma me entristeceu é não ver o interesse das garotas, justamente quando surge uma possibilidade como essa, um espaço virtual de encontro para a formação de equipes. Por que as garotas não querem jogar uma das competições mais tradicionais do país? Cadê as enxadristas do Brasil?

Será que todas as enxadristas já possuem uma equipe? Improvável.

No calendário da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX), está programado o Brasileiro Feminino para a data do carnaval. Estamos a menos de um mês da data prevista e nenhuma notícia sobre uma possível realização. Cadê o xadrez feminino?

Não objetivo polêmicas nesse texto. Espero somente que as garotas, oh enxadristas do Brasil, se levantem e participem dos espaços enxadrísticos, porque estamos desaparecendo e ninguém está se importando.

4 comentários:

Krikor Sevag disse...

Valeu pela citação do blog!
Acho que as meninas estão um pouco ausentes mesmo... Tem bastante gente querendo montar a equipe feminina já. =)
E o texto ficou "bom por demais"!
Bjos
Krikor

Alexandre disse...

Olá Taís,

Sou formado em RI e também adoro xadrez. No passado tb tive que fazer uma escolha e a carreira foi pra frente deixando o tabuleiro encostado no fundo do armário.

Agora busco retomar o tempo perdido, estou fazendo aula e me preparando para estrear em torneios FIDE.

Gostei do seu blog, e em referência a um dos seus textos, digo que nunca é tarde para tomar novas decisões.

Sds, Alexandre

liria_cgarcia disse...

Olha Taís, eu tenho falado com alguns técnicos de equipes e mtos deles falam que estão gastando muito mais com a equipe feminina do que com a masculina. Acho que as meninas são valorizadas, num ponto, por realmente haver poucas enxadristas se comparadas com o numero de homens. O que infelizmente é triste. Isso é espelho de uma sociedade e de um esporte marcado de machismo. Mas o fato da ausencia das mulheres no site do Krikor, por exemplo, acho quer dizer que as meninas estão sendo procuradas. Pelo menos assim espero que seja.
Adorei o site! bjos

Nathalia disse...

Aee Tatá!!!
Bom, o que vc disse é uma gde verdade...mas isso sempre foi né!!!Nunca vi um torneio com mais mulheres do que homens!!Mas acredito que além da questão cultural(afinal, é mutio mais facil um menino viajar sozinho do que uma menina), acredito que os homens são muito mais dedicados que as mulheres, eles têm mais disciplina pra treinar, pra joogar...e as mulheres(estou vendo por mim e por algumas amigas) a genet dá prioridades para outras coisas...eu por ex para a faculdade, algumas deixam de ir por causa do namorado, outras por causa do vestibular e assim vai...Fora que em questões de raciocínio os homens se interessam mais...veja pelas faculdades de engenharia, física, entre outras...
Um beijo,
Nath